Porque há dias em absolutamente que nada se pode fazer além de respirar fundo e deixar passar.
Dias em que a solitude e a solidão caminham de mãos dadas.
Dias de procurar não pensar muito pra muito não lembrar. Não reviver. Não ressentir.
Engolir, sufocar, deglutir, digerir. E erguer a cabeça.
Não se olhar no espelho pra não correr o risco de se desconhecer.
Não deixar ruir a armadura, não abalar os alicerces.
Não se precipitar no vácuo, apenas flertar com o abismo.
Afinal, espera-se que acabe e tudo volte ao (a)normal.
Dias de mergulhar no silêncio e deixar-se embalar pelo carinho benevolente de tudo de doloroso que não se ouviu.
Entregar-se ao arrependimento das coisas não feitas. Ao remorso do não-atrevimento.
Prantear a consciência, a sabedoria adquirida com os anos em troca da inconsequência perdida.
Porque há dias em que a estranheza é ainda mais estranha.
Dias que deviam ficar em branco na agenda.
Dias em que viver dói um pouquinho mais, mesmo com um sorriso nos lábios e sem borrar a maquiagem.

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