“Uma boa escrita imita a boa arte das lavadeiras de roupa. Carece de bater na pedra e enxugar o pano, uma, duas, três vezes, até levá-lo ao varal quase sem água. Escrever é secar ao sol.” – Graciliano Ramos
Mais de dois meses sem chuva. A terra sente, virgem desprezada que cultiva mágoa, que guarda rancor. Rachada, trincada, ressecada, estéril, sem viço, sem cor.
Suados de desespero, tentamos continuar nossas atividades rotineiras, como se superiores fôssemos às intempéries.
Também estamos secos. A pele teima em permanecer áspera, os olhos sensíveis como se nunca mais conseguissem chorar, a garganta arranha, tomada de pó, como se nunca mais pudéssemos dizer verdades.
A secura também é interior. Cada vez mais áridos. Indiferentes à dor do outro, às crianças nos sinais, aos animais abandonados, às injustiças, às desigualdades. Sufocados pela areia fina do tempo, enterrados vivos no deserto imenso, do tamanho do mundo, de nós mesmos.
Nada nos deixa suficientemente úmidos. Não há aparelho, balde de água pela casa nem toalha molhada que dê jeito.
“O sertão é uma espera enorme”, disse Guimarães Rosa. Espera-se em prece, em contar as horas, olhando para o céu, tecendo comentários banais. Uma brisa é um presságio, um sinal de que ainda não perecemos.
Espera-se tentando esquecer o motivo. E assim esperamos pela chuva, para tornar a terra novamente verde e fértil, para lavar a alma de quem quiser e estiver pronto, tirar a poeira dos olhos e do coração.
Esperamos por dias melhores. Esperamos pela Primavera.
Política não é circo, mas sempre aparecem alguns palhaços pra dar show, só porque a plateia é garantida e obrigatória.
A maioria dos candidatos pensa que o eleitor não tem memória. Sob determinados aspectos e em alguns casos, estão certos.
Pelo sim, pelo não, só prometa o que pode cumprir. Bem, melhor não prometer nada.
“Diga-me com quem andas, que eu te direi quem és” é uma máxima que faz todo o sentido na política. Há companhias que, definitivamente, é melhor não ter.
Nem sempre é Deus que se manifesta pela voz do povo. Outras entidades menos privilegiadas também “baixam” na galera.
Alguns candidatos vivem de explorar as próprias mazelas. Outros vivem de explorar as mazelas da população, mais especificamente por uns 4 ou 8 anos.
O voto nulo é de uma nulidade absoluta. O voto útil, de uma inutilidade total.
Toda subcelebridade em decadência quer ingressar na política. E todo político em decadência se acha uma celebridade.
Quem briga e cai na baixaria não tem tempo de pedir votos.
Ninguém chuta cachorro morto. No máximo, tira muito sarro!
Muita gente tem medo de que acabe a “festa da uva”. Por isso, a sinceridade, a verdade, o senso de justiça incomodam. E muito.
Quem já não conheceu alguém tão figura, tão inacreditável que é, que parece lenda?
Com o sucesso de histórias e sagas mitológicas como a de Percy Jackson e mandando o politicamente correto às favas, vamos falar sobre tipos surreais que encontramos por aí...
Quimera – Homem ou mulher, não importa. Ninguém entende mesmo! É aquela criatura estranha, com corpo de leão, cabeças de cabra e dragão, cauda de serpente. Pode tentar seguir diversas tendências, pode tentar se enturmar em qualquer tribo, mas não tem jeito: consegue não se enquadrar em NENHUM ambiente. Se você curte o inusitado, a pessoa quimera acaba sendo até uma companhia interessante.
Centauro – Metade homem, metade cavalo, deixa sua porção equina vir à tona nos momentos mais inadequados, de preferência quando há um público considerável presente. A vítima favorita é a namorada/mulher/ficante, que só não dá uma rasteira nas quatro patas do sujeito porque em outros momentos ele sabe ser, bem convenientemente, um verdadeiro “animal”.
Sátiro – Rapaz inconstante, cheio de assunto e sorrisos, todo trabalhado na conversinha mole, que possui a libido a mil e o juízo a zero. Usou saia e não é sacerdote ou monge, já era. Muitos da espécie contabilizam até aquelas que não pegaram, só pra manter a fama de pegador. O moçoilo, via de regra, também não prima pela qualidade, mas pela quantidade. Se você é alvo de um sátiro, cuidado, pois, ao contrário do ser mitológico, quem acaba tendo um par de chifres é você.
Pégaso – Esse vive no ar, ou melhor, fora do ar. Você conta algo importante ou faz uma pergunta e a reação é sempre a mesma: “Hã? Não entendi!”. Também não quer nada com a vida prática. Seu lema é o desapego total. As contas estão vencendo? “Ah, relaxa, tudo se ajeita!”. Compromissos ou datas importantes? Desista, ele não se lembra nunca (aliás, nem do próprio aniversário!). Pra conviver com quem está sempre nas nuvens, só tentando trancafiar numa gaiola de ouro (o que quase sempre resulta em fracasso) ou embarcando nas mesmas viagens.
Ninfa – Efusiva, livre, leve e, ahhnnn, “soltinha”. Admira as belas paisagens, vive á superfície de lagos, florestas, assuntos... Flanando de jardim em jardim, de bosque em bosque, distribuindo sorrisos, vestida de trajes diáfanos, transparentes-justos-curtos-decotados. Nunca sente frio, mesmo que neve! Possui atração por lentes e flashs. Amante da música (mesmo que seu gosto não seja lá muito apurado), das artes e do futebol, vive à procura de um “deus grego” de polpuda conta bancária. Não raro, como seu correspondente mitológico, tem um fim trágico.
Unicórnio – Para ele, o mundo é cor de rosa e todas as pessoas são boas. Aceita tudo, entende tudo e, ironicamente, só atrai predadores. Sua inocência chega a ser irritante. Falta iniciativa, falta ironia, falta malícia. Falta, inclusive, enxergar o chifre colocado bem no meio da sua testa.
Équidna – A mulher serpente. Aquela que parece inofensiva, mas basta virar as costas uma única vez e ela envolverá você com seu corpo viscoso. E quanto mais você se debater e tentar fugir, mais ela o apertará, até deixar você completamente sem ar. Seu veneno é sutil, paralisa aos poucos, vem por meio de palavras doces, que despertam o sentimento de culpa, o pessimismo, a dúvida, o que há de mais negativo em quem ouve. Dela saem todos os tipos de monstros e males. Como escapar? Fique quietinho, não faça movimentos bruscos e finja que não é com você.
Medusa – Criatura de sangue frio e olhos penetrantes. Totalmente senhora de si, hipnotiza as vítimas sem que percebam, afinal, quem não perde a pose diante de alguém que parece tão fascinante, tão diferente? Mas pra encarar a fera, só sendo herói, pois os reles mortais não se atrevem a enfrentá-la, sob o risco de virarem pedra.
Cérbero – Com três cabeças raivosas, cada uma apontando uma direção diferente, esta criatura oferece uma passagem garantida para o Hades (similar grego do inferno). Implacável, consegue agredir toda e qualquer pessoa que se aproxime. Detesta alegria, festa, música, gente (principalmente feliz). Detesta tudo, mas, no fundo, como qualquer cãozinho, só espera que alguém passe a mão em sua cabeça e o alimente de carinho.
Górgonas – A turminha da Medusa, as BFF, vulgo “migas”. Só conversam entre si, de preferência em código, isolando qualquer outra pessoa que tente se aproximar. Aparentemente poderosas, as donas da festa, mas tudo é pose para esconder as inseguranças e as escamas de serpente. Experimente agir de forma inesperada ou, pior, ignorá-las. Você pode ser devorado ou temido, só depende de sua sorte.
Greias – As tias das górgonas. Fofoqueiras, recalcadas, completamente dependentes uma da outra, principalmente na prática da maldade. Dividem a mesma forma de ver o mundo e tudo que pareça diferente é indecente, escandaloso, horrível, errado. Para anular seu poder, tire-as do seu mundinho, mostre que ser diferente é bem interessante.
Grifos – Se você tivesse cabeça de águia e corpo de leão também não viveria confuso? Pois é, além de confusa, essa criatura é bipolar. Quando você espera o rugido e o bote, vem o voo e vice-versa. Quem convive com um autêntico grifo corre o risco de embarcar em um passeio eterno no seu “carrossel dos humores”.
Sereias/ Tritões – Aqueles que você olha e sabe, de primeira, que são uma tremenda roubada, mas são tão bonitos e “cantam” tão bem, que você não resiste. E acaba se afogando num mar de egocentrismo. Sim, porque eles só veem a si mesmos em seus espelhos d´água. O resto é mera paisagem, cenário pras suas aventuras, brinquedos dos seus caprichos. Pra escapar ou não cair em tentação, só tampando os ouvidos, fechando os olhos e amarrando o corpo.