A ternura, esse estado de encantamento instantâneo, tem o poder de acordar os olhos para as sutilezas.
E foi assim que, pela manhã, saindo da padaria, dei de cara com aquela mancha fofa, uma poodle encardida, que corria de um portão a outro da casa da esquina, latindo, ganindo, desesperada.
Caminhei em sua direção e duas jabuticabas pidonas me encaravam como se eu fosse ouvir um “e aí, vai me ajudar ou não?” em segundos.
Já estava atrasada pro trabalho, os pães esfriavam no saco de papel, mas como poderia prosseguir indiferente, com aquele quadro me assombrando, sem um desfecho?
Bati nos dois portões, toquei a campainha. Esperei, solidária, por alguém que pusesse fim à angústia daquela que conquistou minha simpatia por sua inteligência e atitude.
Por fim, a vizinha atendeu, entre adormecida e surpresa. Deu um sorriso sem graça, típico daquelas mães que se distraem, perdem os filhos no supermercado ou no shopping e os encontram, minutos depois, nas mãos de um estranho.
A pequena entrou rapidamente em casa, abanando o rabinho de contentamento. Parece que deu uma olhadinha para trás, como se me agradecesse. Se foi impressão minha, não sei, mas sorri.
Sorri gostoso, leve. E segui meu dia, com uma sensação boa de presente, embrulhada num pacote feito de nuvens, de algodão doce, arrematado com uma fita furta-cor.
O tempo nunca se perde, não existe falta de tempo. Existe o tempo que vivemos, com toda a rotina, os compromissos, as horas marcadas, a agenda.
E o tempo em que realmente existimos. O tempo da consciência, o tempo da delicadeza, em que, desamparados como a cachorrinha, tudo o que queremos e precisamos dar e receber é afeto.
E foi assim que, pela manhã, saindo da padaria, dei de cara com aquela mancha fofa, uma poodle encardida, que corria de um portão a outro da casa da esquina, latindo, ganindo, desesperada.
Caminhei em sua direção e duas jabuticabas pidonas me encaravam como se eu fosse ouvir um “e aí, vai me ajudar ou não?” em segundos.
Já estava atrasada pro trabalho, os pães esfriavam no saco de papel, mas como poderia prosseguir indiferente, com aquele quadro me assombrando, sem um desfecho?
Bati nos dois portões, toquei a campainha. Esperei, solidária, por alguém que pusesse fim à angústia daquela que conquistou minha simpatia por sua inteligência e atitude.
Por fim, a vizinha atendeu, entre adormecida e surpresa. Deu um sorriso sem graça, típico daquelas mães que se distraem, perdem os filhos no supermercado ou no shopping e os encontram, minutos depois, nas mãos de um estranho.
A pequena entrou rapidamente em casa, abanando o rabinho de contentamento. Parece que deu uma olhadinha para trás, como se me agradecesse. Se foi impressão minha, não sei, mas sorri.
Sorri gostoso, leve. E segui meu dia, com uma sensação boa de presente, embrulhada num pacote feito de nuvens, de algodão doce, arrematado com uma fita furta-cor.
O tempo nunca se perde, não existe falta de tempo. Existe o tempo que vivemos, com toda a rotina, os compromissos, as horas marcadas, a agenda.
E o tempo em que realmente existimos. O tempo da consciência, o tempo da delicadeza, em que, desamparados como a cachorrinha, tudo o que queremos e precisamos dar e receber é afeto.

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