Ela sempre teve estrelas nos olhos e o coração descompassado. A cada novo amor, sua intuição sinalizava com toda sorte de presságios que aquele seria o definitivo, o “pra sempre” tão falado, contado e cantado.
Só que o “pra sempre” acabava na semana seguinte, amarelava, perdia o encanto. E assim seguia ela, nossa doce heroína, novamente com o coração nas mãos, mas sempre pronto e aberto para uma nova paixão.
Ele sempre teve o abraço na medida certa para receber alguém, embora negasse a si mesmo, a ponto de criar um disfarce tão perfeito que quem o via, não imaginava que ele pudesse ser capaz de tanto carinho.
De balada em balada, ia brincando de se esconder e da possibilidade de se envolver, de gostar e ser gostado. E assim seguia nosso herói, o amigo da galera, a companhia ideal para aqueles que terminavam um relacionamento e queriam viver plenamente a solteirice.
Quis o destino que os dois, ele e ela, se tornassem amigos inseparáveis. Mais que amigos: confidentes, sem máscaras, sabedores do melhor e do pior um do outro.
Um belo dia, ele acordou diferente. Sentiu o peito apertado. Sentiu que o ar sufocava, que a vida não era só festa. Foi aí que olhou nos olhos dela, que dariam pra ver a alma do mundo todo, e se viu refletido. Aí descobriu que o que o fazia tão feliz ao lado dela não era amizade, era amor.
Ela demorou um pouco mais a perceber. As amigas cutucavam, brincavam, mas ela fazia questão de não ver que o então descompromissado convicto havia mudado, pra bem melhor e por ela.
Ele resolveu assumir e lutar pelo que sentia, mesmo que significasse o fim da amizade. Ela colocou-se na defensiva, afinal, era muita informação pra pouco tempo, era muita novidade pra uma pessoa só.
Por fim, capitulou. Rendeu-se. Descobriu que não precisava procurar longe o que esteve sempre tão perto.
O que realmente importa é que nunca se viram sorrisos tão intensos, tão verdadeiros, nem tantas palavras carinhosas em seus lábios.
O amor pode ser bem simples. Pode morar ao lado. Pode estar disfarçado. Pode só estar esperando acontecer, em alguma esquina, em algum momento.
A gente é que foge, disfarça, exige demais, complica. Afinal, diria o poeta, “a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”.

Um comentário:
Interessante o post.. é sempre uma história que se repete e, pra variar, aconteceu comigo. Será que sou prova viva de que isso dá certo? hehehehe
Tomará que pelo menos na história isso sirva de exemplo pra muita gente.
Belo texto, pessoa.
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